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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A arte de escutar o silêncio

Quem ama ‘escuta’ no olhar aquilo que os lábios ainda não disseram.

Existem situações que experienciamos nas quais parece que ninguém nos entende. Há dores que nos roubam a capacidade de nos expressarmos e, conseqüentemente, de sermos compreendidos naquilo que somos. São realidades nas quais as palavras se ausentam e não somos capazes de “nos dizer” no que pensamos e sentimos. Isso acaba inaugurando em nós um gradativo processo de solidão em virtude de não sermos conhecidos e compreendidos em nossa verdade.
São raras as pessoas que têm sensibilidade para escutar nossos “silêncios”, e paciência para, aos poucos, desvelar o mistério que somos nós.
Expressar-se é uma arte, compreender alguém também o é. Essas virtudes são fruto de muita luta e empenho, e não apenas de habilidade natural.
Penosa e desestruturante é a dor da incompreensão, do sentir-se estrangeiro no próprio território, por sentir algo e perceber que os outros não podem compreender. Dor ainda maior se faz real quando nos descobrimos julgados e encarcerados no que não somos, em conseqüência de não sermos escutados em nossa realidade, expressa em “palavras” que ainda não fomos capazes de dizer.
Pelo fato de não conseguirmos nos comunicar externando o que somos, constantemente, somos mal interpretados e confundidos em inverdades de compreensão, que nos aprisionam e nos ausentam de nossa identidade. Diante disso, acredito que amar é ter a capacidade de descobrir o outro no que ele não diz… Para descobrir alguém assim é preciso gastar tempo, é preciso observá-lo, abrindo mão dos próprios barulhos e agitações para entender a linguagem silenciosa que revela o ser. Quem ama “escuta” no olhar aquilo que os lábios ainda não são capazes de dizer.
São raras, nos tempos atuais, as pessoas que têm paciência para descobrir o outro nos detalhes, para assim poder amá-lo com inteireza. O fato é que, muitas vezes, estamos tão cheios de nós mesmos que mesmo que o outro “grite” não somos capazes de escutá-lo.
Só acompanha o outro - com qualidade - quem se esvazia das próprias razões. Quem entendeu o que é amar percebe que não pode ser o centro de tudo e que precisa dar espaço em sua vida para que o outro seja quem realmente é, revelando-se em seus valores e crenças.
Há muitos que em toda a vida são amados - se é que o são - somente a partir de uma imagem criada a seu respeito e não daquilo que verdadeiramente são. Tal realidade impõe no ser uma profunda crise, estabelecendo a solidão e a inexistência como paradoxo na compreensão do real.
Dizer-se - de maneira compreensível e encarnada - e compreender o outro são necessidades essenciais para que haja harmonia em toda e qualquer relação. Há casamentos, amizades e relacionamentos familiares que se desfiguram pelo fato de ambas as partes não terem a devida simplicidade para decodificarem (traduzirem) sua linguagem, de forma que ambos possam se compreender e ser compreendidos.
O que destrói um relacionamento não é somente a ausência de amor, mas também de boa comunicação. Comunicação que nos transporta para além do comum e nos faz descobrir os segredos que revelam concretamente uma identidade.
Que Jesus, Aquele que, por excelência, tem o dom de traduzir os “símbolos” humanos, nos ensine com a sensibilidade que emana do seu coração a real maneira compreender e se expressar, desvendando silêncios e inaugurando sempre as novas possibilidades presentes no coração.

“Nos detalhes, nas calçadas, nos poemas, nas esquinas…
sempre disse o que digo.
Porém, o eco não se fez.
Há quem perceba uma linguagem que constrói inverdade.
Nas frases não ditas poucos escutam o silêncio.
Ele que inocente pede carona, com sede de transportar.
Transportar revelando pela força do olhar;
aquilo que a verdade não cansou de cantar com voz eloqüente:
Existe alguém aqui.”

Texto de: Adriano Zandoná - Seminarista e Missionário da Comunidade Canção Nova.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Dizer que ama não diz nada

Estava eu em mais uma noite pensando em várias coisas, e me passou pela cabeça o que as pessoas tem feito com a frase "eu te amo".

Comecei a pensar como essa simples frase que diz tanta coisa tem sido vulgarizada. Hoje, as pessoas se conhecem em um dia, ou numa balada e já resolvem soltar um "eu te amo" uma semana depois, mas também em contra partida quando passa algum tempo na primeira dificuldade do relacionamento já deixam de amar como se fosse a coisa mais banal do mundo. E isso ocorre tanto entre casais, como entre amigos.

Na internet podemos ver muito isso, está espalhado pelo orkut, blog, fotolog então em cada foto é um "eu te amo" diferente.

Como se falar provasse alguma coisa. Amar não é tão fácil assim como as pessoas acreditam que seja.

Amar de verdade vai muito mais além do que falar. Amar é se rezar pela pessoa, é se preocupar, é cuidar, é respeitar, é se doar da melhor maneira possível, é demonstrar carinho, é dar aquele puxão de orelha quando necessário, é dar aquele abraço apertado, é mostrar nas pequenas coisas e gestos do dia-a-dia. Se você faz isso por alguém aí sim eu acredito que o "eu te amo" é verdadeiro e sincero.

Quando a gente ama de verdade, a gente sente medo de dizer "eu te amo".

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Saber esperar

Mais uma vez estou aqui para compartilhar com vocês os meus pensamentos perdidos que passam pela minha cabeça antes de dormir. Isso é até uma característica minha, eu penso em tudo e em todos antes de dormir, praticamente faço um balanço diário da minha vida e a música sempre como minha companheira.

Quando resolvi escrever algo para o blog estava em um desses momentos de balanço e refletindo o trecho de uma música que diz assim: "Basta confiar, saber esperar e Ele agirá."O que mais me chama a atenção é o "saber esperar", pois quantas vezes a gente diz confiar em Deus e não sabe esperar o tempo d'Ele? Ou quantas vezes queremos que Ele cuide da nossa vida e não deixamos Ele agir como tem que ser por não sabermos esperar? E esses questionamentos eu faço por que eles realmente fizeram e fazem parte da minha vida em relação a muitas coisas.

Diversas vezes eu quis sozinha tomar conta da minha vida e muito me questionei por não ter aquilo que eu queria, mas não adianta aprendi e ainda aprendo que "há um tempo oportuno para todas as coisas debaixo do céu."

Não importa sobre o que estamos exatamente falando, pode ser uma vaga de emprego, pode ser o encontrar alguém especial para dividir momentos, pode ser uma vaga na faculdade, ou diversas outras coisas que desejamos no nosso dia a dia. A real importância é "saber esperar", por que Deus sabe exatamente o que precisamos e quando precisamos, e a nós só cabe a responsabilidade de deixar Ele realmente agir e no tempo certo para cada coisa.

Eu sei bem como é difícil tomar essa postura, nossa ansiedade não nos deixa ter essa calma toda, queremos as coisas todas pra ontem, e o único conselho que eu dou pra isso é a oração, somente a oração pode nos dar essa paciência e a sintonia necessária com Deus para que a gente aprenda a esperar as coisas no tempo d'Ele.

Depois que eu resolvi tomar realmente essa postura de não mais questionar os desejos que Deus realiza ou "não" na minha vida, eu realmente tenho notado uma grande diferença em tudo, estou realmente tendo uma paz muito grande sem precisar me preocupar com o que está para acontecer ou não, agora mais do que nunca eu percebo que realmente confiando e esperando, sem querer resolver as coisas por mim mesma, Deus está realmente agindo na minha vida e o melhor de tudo isso é saber que muitas coisas que vão realmente me deixar feliz estão por vir, pois os sonhos e planos de Deus jamais se frustrarão.

Então faça essa experiência que eu estou fazendo: "Basta confiar, SABER ESPERAR e Ele agirá”. O vídeo da música está aí, espero que gostem.



quinta-feira, 8 de julho de 2010

É namoro ou amizade?

Fazem parte do processo de amadurecimento humano as muitas dúvidas e as muitas perguntas que nos fazemos. Quando se trata de relacionamento, então, isso só aumenta. Ao conhecermos alguém e começarmos a nos aprofundar em uma amizade, chega um momento em que os sentimentos se confundem e a velha pergunta é feita no interior do nosso coração: "É namoro ou amizade?" O problema não está em se questionar, mas em querer obter respostas imediatas. Quem não espera o tempo certo da resposta e se precipita, não só corre o risco de perder uma boa amizade como também pode colocar a possibilidade de um bom namoro a perder.

Quando se trata de sentimento, as confusões interiores são naturais. Nosso coração, muitas vezes, é território desconhecido e surpreendente. A cada nova experiência ele age de maneira inusitada, nos desconcertando e nos deixando sem saber como agir. Não há uma regra no que se refere a sentimento e a relacionamentos, só a prudência no parar, esperar, observar para depois agir.

Toda amizade passa por fases de maturidade, as quais vão se desenrolando à medida que nos aproximamos da outra pessoa. Dentre essas fases, uma delas é conhecida pelas pessoas mais requintadas como "enamoramento", mas nós preferimos chamá-la de "paixão", cuja definição mostra bem os sentimentos que são vividos nesse momento: sentimento forte; designa amor, atração, acentuada predileção, etc. Quando nos aproximamos de alguém, nos tornamos amigos – seja de um homem ou de uma mulher – existe aquele momento de querer estar sempre perto, de saber e participar da vida do outro, das suas lutas, dos seus desejos, de querer bem, de se importar com tudo o que ele vive, de cuidar, de amar de forma concreta. É justamente dessa fase, completamente espontânea em qualquer amizade, que nós estamos falando.

É nesse momento do relacionamento que a pergunta surge e começamos a nos questionar, o que é muito natural, principalmente quando diz respeito a uma amizade entre um homem e uma mulher. Mas se tentamos, já nesse estágio, dar respostas a esse questionamento podemos colocar tudo a perder. Isso acontece porque a paixão é comum tanto nas amizades, quanto nos relacionamentos amorosos, o que pode confundir o nosso coração. Mas então como discernir?

A primeira coisa é deixar esse tempo de intensas emoções passar. Deixar que o tempo seja o nosso melhor amigo e nos mostre a vontade de Deus para esse relacionamento. Só quando a poeira das emoções fortes abaixa é que conseguimos enxergar as coisas como realmente são. Depois disso vemos a pessoa como verdadeiramente ela é, sem impressões imediatistas, percebendo seus defeitos e reforçando as suas qualidades. É nesse momento que vamos parar, ponderar e, muito sinceramente, buscar em Deus uma resposta, para só então agir.

Quando não se vive esse processo de maneira tranquila e sadia, muitos problemas aparecem. Uma amizade que tinha tudo para dar certo, para fazer duas pessoas crescerem juntas, pode ser jogada no lixo pela pressa em responder aos questionamentos interiores. E, com isso, sempre alguém sai ferido por se sentir usado, por se desiludir com a outra pessoa e achar que tudo não passou de simples interesse.

Todo bom namoro começa com uma boa amizade. Mas nem toda boa amizade termina em um bom namoro. É preciso muita prudência, muita calma e paciência. Quem vive este tempo de forma madura acaba colhendo os melhores frutos do relacionamento. O namoro gerado pela amizade é sadio, sem ilusões ou precipitações, pois as pessoas lutaram para se conhecer antes de tomarem qualquer atitude. Por outro lado, se o relacionamento permanecer como uma boa amizade, o conhecimento adquirido e a maturidade alcançada pelos amigos vão gerar muito respeito, confiança e liberdade entre os dois. Em ambos os casos, a espera sempre é o preço e a certeza da felicidade.

Talvez você esteja com esse questionamento no seu coração. O relacionamento com alguém muito especial está levando você a se perguntar sobre a vontade de Deus para determinada amizade. Pare, espere, observe, reze e só então aja. Não queira se juntar ao grupo cada vez maior de pessoas frustradas em tantos relacionamentos, pois confundiram as coisas e trocaram os pés pelas mãos. Não se deixe levar pelo borbulhar de seus sentimentos, mas espere tudo se acalmar em seu interior para que você possa discernir bem a vontade de Deus e não colocar tudo a perder.

Entretanto, é bom lembrar que essa espera e esse discernimento precisam acontecer de ambas as partes. Ninguém ama sozinho nem convence o outro a amar. Por isso é preciso deixar passar a fase da paixão em ambos os corações, para então buscarem juntos – e em Deus – uma resposta coerente.

Quem em suas amizades soube viver tudo isso de forma serena e acertada, hoje pode testemunhar, pelos frutos, a realização plena da vontade de Deus. Por isso saiba esperar para depois responder a essa pergunta. Se é namoro ou amizade só o tempo vai responder, por isso, pague o preço da felicidade: espere!

Texto de: Renan Félix, Seminarista da Comunidade Canção Nova.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Fazer a diferença

Esses dias conversando com um amigo sobre fazer a diferença na vida das pessoas ele me indicou um filme para ver, o filme chama-se "A corrente do bem", a sinopse do é a seguinte: Eugene Simonet (Kevin Spacey), um professor de Estudos Sociais, faz um desafio aos seus alunos em uma de suas aulas: que eles criem algo que possa mudar o mundo. Trevor McKinney (Haley Joel Osment), um de seus alunos e incentivado pelo desafio do professor, cria um novo jogo, chamado "pay it forward", em que a cada favor que recebe você retribui a três outras pessoas. Surpreendentemente, a idéia funciona, ajudando o próprio Eugene a se desvencilhar de segredos do passado e também a mãe de Trevor, Arlene (Helen Hunt), a encontrar um novo sentido em sua vida.

Bom, foi um filme que mexeu muito comigo, sempre tive vontade e sempre busquei muito fazer a diferença na vida das pessoas e quem sabe um dia poder fazer a diferença no mundo. O filme nos mostra uma idéia que podemos considerar utópica no mundo de hoje, afinal para a idéia se propagar só podemos contar com a bondade das pessoas, e vamos ser realistas bondade é uma qualidade que não está muito em alta no meio de tanta gente que só pensa em poder, dinheiro, prazer e todas as outras coisas que o mundo pode ofertar.
Sempre achamos um meio para não praticar a bondade no nosso dia a dia, e pra isso posso te dar um exemplo bem simples, quantas pessoas andam no ônibus todos os dias e esquecem simplesmente de dar o lugar para uma pessoa de idade, podemos estar cansados por um dia de trabalho ou estudo, mas não paramos para pensar que aquela pessoa de idade está cansada de uma vida inteira, com certeza ela já se cansou muito mais do que nós.
Mas, voltando ao assunto do filme, ele nos mostra uma nova oportunidade de fazer a diferença na vida dos outros e como isso pode fazer bem pra nós e para as outras pessoas. A única coisa que precisamos é não sermos covardes de algumas vezes deixar nosso orgulho ou medo de lado para ajudar alguém. Precisamos deixar de ter medo de ver as coisas mudarem, tem uma frase do Chico Buarque de Holanda que diz: "As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem." e é justamente isso que acontece hoje na nossa sociedade, afinal é muito mais fácil e cômodo fechar os olhos e cruzar os braços do que olhar de frente os problemas para fazer alguma coisa que faça as coisas mudarem, ou também é mais fácil desistir do que lutar para ver as mudanças acontecerem.
Essa diferença que vamos fazer pode até não atingir o mundo inteiro, mas pelo menos fizemos a diferença para aquela pessoa onde muitas vezes se pararmos para refletir pode ser uma diferença que mude totalmente ou salve uma vida e estamos fazendo isso pelo simples prazer de fazer o bem.
Para finalizar esse post vou deixar uma das frases do garotinho do filme, o Trevor: "É difícil não dá para planejar, você precisa observar as pessoas. Ficar de olho nelas e protegê-las, nem sempre a gente sabe o que precisa. É a grande chance de consertar alguma coisa que não seja a sua bicicleta, dá pra "consertar" uma pessoa."

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A injustiça com o presente

Isso que eu vou postar hoje, já postei um tempo atrás no twitter e agora resolvi compartilhar aqui também. Estava eu e algumas amigas minhas filosofando sobre presente, futuro e passado e percebemos como o tempo presente é injustiçado e deixado de lado, coitado.

Resolvi compartilhar essa nossa conversar por que considero que o tempo presente que deveria ser mais valorizado por todos, ele que deveria ganhar a atenção. Deixe explicar:

O tempo passado é sempre lembrado com aquela nostalgia, saudade. Tanto que muitas pessoas não conseguem o deixar ir embora, mesmo sabendo que ele não volta mais e que as coisas do passado não podem ser mudadas.

O tempo futuro as pessoas pensam nele com aquele ar de idealismo, de perfeição sendo que a gente nunca sabe se esse futuro vai chegar ou não, pois a vida é uma dádiva que devemos aproveitar um dia de cada vez, sem querer atropelar os acontecimentos.

E o presente fica ali quietinho, no meio de dois gigantes que conseguem sufocar ele.

A maneira mais correta de viver? Isso vai depender de como você quer VIVER.

Vai depender se você quer viver preso em um passado que não volta, ou preso em um futuro que você nem sabe se vai chegar, mas qualquer uma dessas duas opções você vai estar preso esquecendo-se de viver o que precisa ser vivido.

Eu ainda prefiro ficar com o presente, pois é o presente que torna a minha vida realmente possível.

domingo, 27 de junho de 2010

CLJ (Curso de Liderança Juvenil)

Para quem não sabe eu faço parte de um grupo chamado CLJ (Curso de Liderança Juvenil), é um grupo de jovens da Igreja Católica. Minha caminhada nesse grupo começou dia 08/05/2004, ou seja, já se passaram mais de seis anos.
Um tempo atrás eu postei um texto de minha autoria no blog do grupo como uma homenagem para o movimento e também por serem coisas que eu sentia e achei legal compartilhar com outras pessoas.
Tenho certeza que quem já fez ou ainda faz parte desse movimento vai se identificar muito com ele, então leiam e reflitam sobre tudo isso. Para quem nunca vivenciou as emoções do CLJ vale a pena ler para conhecer. Boa leitura.

Ninguém nos avisou

Estava refletindo sobre todas as coisas que não nos avisaram quando entramos no CLJ.
Ninguém nos avisou das lágrimas derramadas por causa de decepções.
Ninguém nos avisou das tantas outras lágrimas que derramaríamos em casa por causa de uma atividade que não saiu como o esperado e nem das derramadas por causa das vezes em que brigamos com alguém.
Ninguém nos avisou dos “sapos” que teríamos que aprender a engolir.
Ninguém nos avisou que teriam pessoas falando constantemente mal de nós e tirando sarro por participarmos de um movimento ligado a Igreja.
Ninguém nos avisou do tamanho das responsabilidades que iríamos ter conforme o tempo ia passando.
Ninguém nos avisou que muitas vezes seriamos julgados e que isso machucaria muito.
Ninguém nos avisou das frustrações por tomar decisões erradas.
Ninguém nos avisou que veríamos grandes pessoas queridas de dentro do grupo irem embora e que muitas vezes nos sentiríamos sozinhos.
Ninguém nos avisou que muitas vezes teríamos que escolher entre passar um fim de semana com as nossas famílias ou em uma atividade do CLJ.
Ninguém nos avisou que um dia mudaríamos nosso jeito de ser e de pensar, mas que o mundo não mudaria em nada e que quando nos déssemos conta disso mais lágrimas derramaríamos.
Mas apesar de todas essas coisas listadas ninguém nos avisou também da alegria e da euforia que sentiríamos ao voltar de um retiro de três dias.
Ninguém nos avisou que faríamos amizades para durar uma vida inteira.
Ninguém nos avisou das tantas lágrimas derramadas por emoção ao ler uma carta, uma mensagem, por alegrias vividas ou por receber um abraço de um amigo verdadeiro.
Ninguém nos avisou que de jovens muitas vezes extremamente tímidos nos tornaríamos líderes capazes de dar palestras e coordenar atividades.
Ninguém nos avisou que mais do que participar de reuniões intermináveis, estávamos aprendendo a fazer gestão de pessoas.
Ninguém nos avisou que mais do que fazer silêncio, aprendemos a pensar na vida.
Ninguém nos avisou que mais do que fazer diferente, bolar uma coisa legal e escrever um texto que tocasse as pessoas, estávamos aprendendo a ser pedagogos, publicitários, jornalistas, estávamos sendo criativos.
Ninguém nos avisou que mais do que fazer o silêncio pedido nas orações iniciais, estávamos aprendendo a valorizar a fé.
Ninguém nos avisou que mais do que fazer primeiro, estávamos aprendendo a liderar.
Ninguém nos avisou da sensibilidade que iríamos adquirir para olhar o mundo e a humanidade.
Ninguém nos avisou que aprenderíamos a ser capazes de levar um pouco de luz onde há escuridão.
Ninguém nos avisou das pessoas que Deus colocaria nas nossas vidas como verdadeiros presentes de Deus.
Ninguém nos avisou que aprenderíamos a amar de uma forma diferente.
Ninguém nos avisou que aprenderíamos a ter uma fé inabalável que nos faz ver a luz por pior que seja a situação vivenciada no momento.
Ninguém nos avisou que aprenderíamos a sermos felizes porque Deus quer nos ver felizes e porque Ele nos deu a vida para vivê-la de forma plena.
Ninguém nos avisou da alegria que sentiríamos ao servir o Cristo que morreu em uma cruz por nós.
Ninguém nos avisou que aprenderíamos a não nos sentirmos sozinhos pelo fato de Jesus estar sempre do nosso lado.
Essas são algumas das poucas coisas que não nos avisaram, mas que ao serem vividas nos fazem aprender a amar esse movimento de uma maneira que nunca imaginávamos amar. Sem esquecer que ninguém nos avisou que um dia aprenderíamos a ver e sentir o tamanho do amor que Cristo dedica a nós todos os dias e que tudo o que temos hoje nos foi dado de presente por Ele.
Pense muito bem nisso. Porque ninguém vem com um manual com tudo o que iremos viver dentro desse grupo, mas com certeza aprendemos o quanto todas essas experiências são importantes para a nossa formação como pessoas.
Shalom!

sábado, 26 de junho de 2010

Amar é escolher o essencial

A globalização trouxe inúmeros benefícios ao homem. Atualmente, com extrema facilidade, temos acesso a outras culturas e a informações sobre tudo o que está acontecendo em todo o planeta. Uma quantidade demasiada de informações é despejada sobre nós cotidianamente. Temos acesso a muitas realidades e, consequentemente, corremos o risco de acabar sufocados em meio a toda essa diversidade.

A vida nos apresenta uma multiplicidade de oportunidades. Através da tecnologia tudo se tornou mais rápido e fácil e temos a possibilidade de realizar muitas coisas ao mesmo tempo. Porém, mesmo em meio a muitas possibilidades, para ser feliz, o homem precisa escolher a melhor forma para consumir o seu tempo.

Há quem passa horas navegando e conhecendo, superficialmente, muitas pessoas pela Internet, mas não consegue gastar 30 minutos com alguém que lhe é realmente importante, para que possa se aprofundar nesse relacionamento real. Pois prefere o descompromisso e a irrealidade do relacionamento virtual, que não exige nada, e que, muitas vezes, possibilita a informalidade e a ilusão.

Há quem gaste horas e até dias com amigos, em farras e bebedeiras, mas não tem a capacidade de gastá-las com a família. Há quem tenha tempo para ir ao “Shopping Center”, ao clube, ao bar, mas não tem tempo para ir à Santa Missa. Há mulheres que ficam o dia inteiro no salão de beleza, mas não param para escutar o marido. Assim como há pais que estão perdendo os filhos, porque nunca tiveram tempo para escutar suas “tolas experiências”…

Não existe relacionamento sem diálogo, família sem presença, felicidade sem prioridade.

É muito triste para o homem, no fim de sua vida, perceber que desperdiçou tempo demais com o supérfluo e desprezou aquilo e aqueles que eram essenciais.

Há quem se prenda aos erros, deixando de valorizar a pessoa que está por trás destes. Cargos passam, filhos crescem, pessoas adoecem, despedidas acontecem, o tempo passa… e, um dia, a vida se ausenta.

É feliz quem compreende que pessoas têm mais valor do que coisas; que família é presente de Deus e amizade é uma arte que torna a vida mais bonita.

Amar é escolher o essencial; é dizer o que se deve; é escutar a quem se deve escutar; é estar ao lado de quem necessita de nossa presença; fazer o que é preciso.

Pode ser que para você, hoje, o essencial seja perdoar ou pedir perdão. Pode ser que seja estar em sua casa como os seus, não sei… O que sei é que a vida é bela para quem sabe priorizá-la, e que é no agora que temos a possibilidade de reescrever nossa história, mudando a direção em que empregamos nosso tempo e nossas energias.

Quem ama consegue encontrar tempo para aquilo e para aqueles que realmente são importantes. Quem ama sabe priorizar.

A virtude mora na escolha… certa, é claro. Amar é escolher o essencial.


Texto de: Adriano Zandoná